quinta-feira, 2 de julho de 2015

Cadê a esperança Marieta?


Não posso negar, estou triste. Triste porque na madrugada de hoje Eduardo Cunha, em uma manobra regimental, colocou novamente em votação o projeto que prevê redução da maioridade penal para 16 anos. Não é possível que haja espaço para alegria na aprovação de algo que estampa a incompetência e desleixo do poder público com a educação e projetos sociais.


A desesperança do brasileiro parece estar reverberando também na forma como se encaram as leis. Os legisladores e a mídia parecem querer incendiar uma perspectiva negativa, sustentam sensacionalismos, números forjados, tudo para levar a população ao apoio de aberrações como a aprovada ontem. E depois do golpe, e de sua efetividade, é difícil realmente ter esperança que tal visão possa vir a mudar.

Será que se consegue manter a esperança de uma país sem misoginia?
Para piorar, são os ataques à dignidade feminina que tem como desculpa o protesto político, a crescente onda de demonização da homossexualidade, a truculência policial cada vez mais forte e descarada, a intolerância religiosa, o fascismo descarado. Os ares brasileiros a cada dia estão ficando mais densos, irrespiráveis. De fato, as pessoas estão se provando de uma mediocridade nunca antes vista.

A pergunta que se faz é: Cadê essa esperança Marieta Severo? Será que havia esperança do Jô Soares, que, por simplesmente abrir espaço para a fala presidencial, foi também alvo de ameaças contra a vida? Ou da Viviany Beleboni que é frequentemente ameaçada, será que ela tinha esperança ao se crucificar em protesto durante a Parada Gay? Ou a jovem de 11 anos apedrejada por seguir o candomblé, ela tem esperança?

Como ter esperança ao ler comentários como esses?
É difícil, quando encarados os fatos, manter a esperança de que o país vá de fato se colocar numa posição de avanço nas pautas sociais. É o temor diário no retrocesso do que já avançamos, com uma onda ultra liberal se formando, que ameaça o "Welfare State" (mesmo que capenga) do Brasil. E se isso fosse pouco somam-se os proselitismos, fundamentalismos. Para o lado mais fraco da corda só sobrou o desespero. 

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